Santos Dumont; o homem que acelerou a transformação do mundo, numa aldeia.

 

 

 

Santos Dumont, mais conhecido,na fazenda de seu pai, - seu Henrique - por Alberto -, não era um publicitário. Nem ao menos um Comunicador. Muito pelo contrário, por natureza, era até bastante introvertido. Tinha uma queda pra Designer, mas seu forte, mesmo, era a mecânica.

 

A liberdade dos pássaros que voavam sob o céu de Palmira - nas Minas Gerais - era a mesma dos demais pássaros do mundo; mesmo assim, o fascinava.

 

A idéia de um dia voar não lhe saía da cabeça. Não, voar num balão; sem destino. Mas voar num aparelho que ele construísse; mais pesado que o ar, e que fosse onde ele determinasse.

 

Depois de uma série de experiências - mal ou bem sucedidas - a 23 de outubro de 1906, contrariando a expectativa da opinião pública da cidade-Luz, decolou com seu 14-bis, do campo de Bagatelle.

 

Estava então,  aberto a quem interessar pudesse, um amplo mercado em potencial, literalmente virgem: a aviação comercial.

 

Tão rápido como um gesto de Houdini, gênios do mundo todo, passaram então ao mesmo tempo a aperfeiçoar o rudimentar aparelho de Dumont.

 

Hoje, poucas décadas depois que Alberto Santos Dumont provou a dirigibilidade do mais pesado que o ar, há anos que a aviação militar voa mais rápido do que o som; e recentemente , foi instalada a primeira linha comercial - soviética - nas mesmas condições.

 

Breve, o Concorde terá linhas regulares e o SST não ficará apenas na prancheta.

 

Depois de ter voado no heróico DC-3, no fumarento Scandia e no veloz Super-Constelation, em cerca de meio século de aviação comercial, o homem não pode parar na sua busca por um transporte mais rápido, mais confortável e mais seguro.

 

Hoje, não se compreenderia o mundo sem o avião. Seria o mesmo que uma estante sem livro, um lar sem gente, ou mesmo - com licença do poeta - um corpo sem alma.

 

Mas, compreensível ou não, este é o mundo em que vivemos. E o mais importante é que o avião veio - sem qualquer sombra de dúvida - torná-lo menor. Torná-lo na Aldeia Global.

 

Eduardo Beltrão Chaves - outubro de 1973

Primeiro prêmio no Concurso da Associação Brasileira de Propaganda em comemoração ao Centenário de Santos Dumont.
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