O vôo TR - 131 saíra do Rio de Janeiro às 21:00 horas daquela fresca noite de domingo de julho de 2001 tendo chegado a São Paulo quase uma hora mais tarde. Embarcados os passageiros na terra da garoa, revistos os procedimentos, era hora de decolar com destino à Alemanha. Diretamente, sem escala, até Frankfurt. Quase mais meio dia de viagem. Os cerca de seis mil e quinhentos dólares cobrados por uma poltrona na Primeira Classe, para ida-e-volta, eram uma gota d´água para os que ali costumavam viajar. Naquela noite, apenas um passageiro num dos quatro especialíssimos lugares: Ele. Oskar Frota da Costa.

Como supostamente sempre fazia, pagara treze mil dólares para que no assento vazio ao seu lado viajasse sua valise - que ele mandara fazer, sob medida, no Brasil - para que ela não precisasse se misturar no bagageiro, ainda que da Primeira Classe.

Além disso, a tal valise excedia os 115 cm de comprimento total. Comprimento mais a largura mais a altura. E pesava mais, muito mais que os cinco quilos permitidos pela Companhia aérea. Era, portanto, tratada como um passageiro. Como um ser humano. No entanto, embora dinheiro não lhe fosse qualquer problema, ele o desperdiçara mais do que das outras vezes. Deveria ter comprado apenas o bilhete de ida. Já que na volta iria para o inferno. Sem escala.

Enfim, de um jeito ou de outro gastara mais do que deveria. Retornaria num caixão - ainda que de primeira - mas, no porão da aeronave.

Seria assassinado a bordo.